Inglês – Um trauma de pai para filho?

Como coordenadora de uma escola de inglês, recebo muitas vezes alunos que nos procuram já com uma opinião pré-concebida sobre o idioma. Acham difícil, têm vergonha de falar e não conseguem encontrar um sentido na língua. Vêem o inglês como uma disciplina de escola e não um instrumento de comunicação.

Consigo me identificar plenamente com essas pessoas. Na verdade, o inglês representa para elas exatamente a mesma coisa que química representa para mim. Apesar de saber que a mistura de elementos químicos forma tudo o que temos ao nosso redor, vejo a química apenas como um monte de letras e números em cuja combinação eu (como muitas outras pessoas!) não consigo ver sentido algum.

Para muitos dos adultos de hoje, o inglês sempre foi mesmo como a tal química sem sentido que me mostraram na escola. Eu mesma me lembro de ter tido diversos professores de inglês na escola regular que dominavam o idioma que lecionavam tanto quanto eu poderia ensinar química.

A geração y é nativa digital e, como tal, já nasceu com TV a cabo, computador e internet oferecendo pleno acesso não só ao inglês como à cultura de outros países. É incrível como hoje em dia ainda possa haver jovens que não percebam que inglês é algo real e relevante, e que nesse sentido em nada difere do português.

Em minha opinião isso se dá porque muitas escolas, especialmente regulares, insistem em ensinar inglês como no século passado. Muitas se perdem entre a escolha de se ensinar inglês instrumental (jogando uma quantidade enorme de conteúdo que poucos alunos conseguem assimilar) e a vontade de falar inglês em sala de aula. Por incrível que pareça, recebo frequentemente na coordenação professores de inglês de escolas regulares que vem se matricular no curso e são obrigados a começar do nível 1. Algumas vezes, eles ainda são os alunos mais fracos da turma!

Além disso, as crianças e jovens de hoje são filhos daquela geração que ficou traumatizada no passado! Conclusão: quando uma escola de inglês ou mesmo uma escola regular tenta fazer um trabalho mais profundo, ensinando a língua estrangeira como uma ferramenta que nos permite ter acesso a filmes, músicas, amizades, nos entender melhor, etc. muitos pais ligam o alarme. Querem muito conteúdo em termos de estruturas, tempos verbais entre outras coisas de uma forma que provavelmente só será útil para seus filhos caso os mesmos resolvam estudar Letras!

Já recebi cobranças deste tipo até mesmo de pais de crianças em idade de educação infantil, de escolas fazendo um trabalho rico e cheio de sentido para as crianças. Muitos destes pais querem receber uma lista com o conteúdo ensinado em sala para poderem “ajudar” seus filhos. É difícil fazê-los entender que suas crianças têm uma ótima relação com o inglês, thank you very much! Conhecem Halloween do Discovery Kids, jogam inúmeros jogos de computador sem o menor problema, cantam e executam diversas outras atividades tudo em inglês.

É essencial que os pais das crianças e jovens de hoje relaxem e apreciem o fato de o mundo ter encolhido muito desde sua adolescência. Eles precisam entender que se seus filhos começam a estudar inglês desde novinhos é exatamente para não haver pressa, e o processo ser não apenas enriquecedor como também muito gostoso.

E para os pais daqueles jovens que fazem inglês em escolas que insistem em trabalhar como no século passado e têm dificuldades, sugiro que pesquisem se seu filho é uma exceção. O que tenho visto por aí são salas cheias de alunos que não conseguem assimilar todo o conteúdo jogado. Se os únicos alunos que conseguem acompanhar bem o curso são aqueles que fazem cursos de inglês fora da escola, há alguma coisa errada. Para esse problema coletivo, não há solução individual! Se cada um continuar apenas buscando soluções para seus próprios filhos, a escola continuará falhando.

O ideal seria ajudar seu filho a trazer o inglês para mais próximo de si, matriculando-o em um bom curso se possível, e através de atividades do interesse dele, como músicas, filmes, etc. Além disso, é essencial que pais e escola busquem em conjunto uma solução.

E por último, um recado para aqueles que ficaram para trás: nunca é tarde para começar! Livrar-se de suas próprias frustrações é a melhor maneira de não reproduzi–las em seus filhos (e alunos!). Aprender inglês de verdade pode ser sua resolução para 2012! Enjoy!

Só porque algo me inibe, não significa que seja assim para o outro!

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Competir ou Cooperar

Há vários anos venho trabalhando com seleção, treinamento e formação de professores. Muitas vezes o treinamento em si é parte do processo seletivo. Neste caso, ao invés de um momento de aprendizado “leve”, a pessoa está o tempo todo focada na questão da aprovação. Para evitar que se instale um clima de competição, eu sempre começo meus treinamentos avisando aos trainees que eles podem todos ser aprovados e que é importante lembrar que não estão competindo uns contra os outros.

Em um dos treinamentos dos quais participei, a treinadora deu aos participantes, já no começo do primeiro dia, algumas definições tiradas de um dicionário para a palavra cooperar.  A melhor definição em minha opinião era a mais óbvia – operar junto. A partir deste dia, resolvi incluir essa introdução em meus treinamentos, mas expandindo-a de forma a incluir também a definição de competição. Desde então tenho usado em vários momentos uma discussão sobre cooperação e competição. Com o tempo, passei a fazer esse trabalho inclusive em sala de aula com crianças, onde peço que definam a diferença entre uma coisa e a outra. Em uma oportunidade uma criança me respondeu que na competição só um poderia ganhar e na cooperação todos poderiam ser vencedores. Naquele momento, na situação específica daquela sala de aula, aquela era a explicação perfeita.

Naquela sala de aula, o fato de haver um vencedor geraria outros 7 perdedores. Mas e na vida real? É possível sermos todos vencedores? O próprio termo vencedor parece gerar necessariamente um número x de perdedores.

A não ser que lancemos mão de outra perspectiva. Precisamos nos perguntar quem foi o adversário vencido por aqueles a quem a sociedade considera vencedores. Vencemos necessariamente outros indivíduos? A sociedade? A vida? Parece-me que a única maneira de todos podermos vencer ao mesmo tempo é se vencermos apenas a nós mesmos e nossas limitações.

Em quantas situações da nossa vida estamos competindo uns com os outros sem necessidade? A não ser em situações de processo de seleção com vagas limitadas, em quantas situações precisamos realmente competir uns contra os outros enquanto indivíduos? Acho que as pessoas estão precisando se lembrar de que a maior parte das situações que vivemos no dia a dia tem mais em comum com o treinamento que mencionei no começo deste texto do que com uma verdadeira competição. Podemos todos ser aprovados e, se cooperarmos um pouco mais com o todo e uns com os outros, podemos chegar lá mais rapidamente e em um ambiente no mínimo menos hostil.