99 não é 100!

Acabei de assistir ao filme Lixo Extraordinário, que mostra o processo de transformação vivido pelo artista Vik Muniz e os catadores de material reciclável do Jardim Gramacho. O filme todo é tão inspirador que não vou nem me atrever a descrevê-lo aqui. Quero apenas sugerir para quem ainda não o viu que não perca a oportunidade de passar por essa experiência fantástica!

Os catadores mostrados no filme parecem mesmo ter o olho treinado para ver o que vale a pena guardar em uma montanha de lixo. Isso não é apenas seu trabalho, mas uma maneira de ver a vida que os permite ter um trabalho tão duro sem se afogar em amarguras.

Uma vez, uma amiga me disse que se Deus quisesse que eu “salvasse o mundo” teria me dado uma função maior. Discordo dela. Na verdade, acho que as pessoas que geram as maiores transformações são aquelas que são exatamente como eu e você. O que diferencia essas pessoas daquelas que parecem só estar nesta vida a passeio é exatamente sua vontade de fazer o melhor que podem. Principalmente quando isso não é o mais fácil ou confortável.

Um dos catadores e líderes da Associação dos Catadores do Aterro Metropolitano do Jardim Gramacho, o Sr. Valter, disse que passava toda a sua vida tentando conscientizar as pessoas sobre a questão do lixo. De acordo com ele, muitos dizem “Ah, é apenas uma latinha.” Ao que o Sr. Valter respondia “Um faz toda a diferença do mundo. Afinal, 99 não é 100!”

E é isso mesmo. Às vezes, para gerar uma grande mudança não é preciso algo gigante. Uma forcinha pode ser o suficiente para causar um grande impacto. Através do material reciclável catado no Aterro do Jardim Gramacho e do trabalho do artista plástico Vik Muniz, os catadores retratados no filme conseguiram reciclar nada mais nada menos do que sua própria visão de si mesmos.

Fica então a estratégia da semana: Cada um de nós é apenas um, mas um pode fazer toda a diferença. Então vamos tentar? Há tantas possibilidades – viver uma vida mais simples produzindo menos lixo, enxergar o que há de bom nas coisas que nos parecem perdidas e, finalmente, manter a mente aberta para podermos reciclar a cada dia nosso olhar sobre nós mesmos. Fazer a diferença é uma escolha diária!

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Reciclando erros – A arte de continuar

Quando era pequena, adorava o início do ano letivo. Adorava manusear os cadernos novos e escrever tudo com capricho e com a letra bem bonita. Essa emoção durava algum tempo, até que o material já estivesse com cara de usado e ficava claro que aquele ano não seria lá tão diferente do anterior. Quando isso acontecia, eu normalmente continuava fazendo as atividades com capricho e esforço, mas já não tinha a mesma esperança.

A diferença entre o primeiro e o segundo momento talvez não fosse visível a olho nu. Talvez nem meus professores percebessem queda na qualidade do meu caderno. Mas a diferença era enorme!

No primeiro momento eu fazia tudo com fé, acreditando que aquilo seria como uma varinha mágica – se eu fizesse tudo certinho, a vida seria linda e perfeita, e tudo aconteceria como eu achava que deveria. Eu acreditava que estava plantando com perfeição e que colheria desta forma também.

Já no segundo momento, eu estava só cumprindo minhas obrigações. Continuava tentando fazer o que devia de maneira correta e satisfatória, mas imaginava que a colheita já estava perdida. Para a vida ser perfeita agora, havia de esperar o ano seguinte. Olhando para trás, não consigo deixar de lamentar uma infância assim.

Sempre me lembro claramente deste gostinho de caderno novo quando tenho um em minhas mãos. Na verdade, na medida em que fui crescendo, fui trazendo-o para outras áreas da minha vida. O leitor atento já deve ter percebido minha fixação com Ano Novo e outros momentos de mudança e renascimento (por falar nisso, a Páscoa vem aí…). Na verdade, temo que muitos deles não sejam mais do que outras manifestações da tal ”Síndrome de Caderno Novo”.

Ouvi falar que no colégio antroposófico as crianças não podem usar borracha por anos (até a 4ª série, eu acho). Quando erram, devem tentar transformar isso em algo bom. Reciclar, imagino. Estive em uma exposição dos trabalhos dos alunos de lá e fiquei encantada com a beleza e profundidade de tudo que vi. Fiquei imaginando que uma criança que cresce com essa liberdade, não deve nunca se preocupar se o caderno é novo ou não.

Agora imagine que depois de tantos anos, essa é a primeira vez que percebo o tal caderno, ano ou outra coisa nova como algo limitador e como uma fonte de stress. E se o primeiro erro dentro da lógica da minha criança interior é sempre fatal, por outro lado pode ser também libertador, certo?

Pois essa é a estratégia da semana. Claro que devemos fazer o melhor que podemos, acredito que a vida só faz sentido assim. Mas a sugestão é uma mudança de paradigma no sentido de como ver o erro.

Erramos todos, essa é uma das poucas certezas da vida. Mas se errar é tão comum, por que sofrer tanto com nossos erros? Por que permitir que eles sejam uma fonte tão grande de stress? Errar é parte da vida e aprendemos muito com isso. O medo do erro nos paralisa e muitas vezes nos impede de vivermos experiências que poderiam ser extraordinárias para nosso crescimento e felicidade.

Pois então, sugiro que tornemos a vida mais leve em primeiro lugar aceitando que o erro é parte dela. E em segundo, e talvez mais importante, aceitando que um erro não precisa destruir nada além da ilusão da perfeição. E aceitar que não somos e nem temos a obrigação de sermos perfeitos pode ser extremamente libertador. Óbvio, não é mesmo? Deveria ser…

Uma das estratégias para lidar com erros (nossos e dos outros) é o perdão. Mas o objetivo da reflexão de hoje é mais lúdico. Guardemos o perdão para outro dia, e comecemos a reciclar. Que a sucata dos nossos erros seja matéria-prima para muitas coisas lindas, leves e que possam trazer muita alegria e cor para nosso dia-a-dia tão corrido e, por vezes, cinzento.

transformações possíveis

Primeiro degrau – As escalas

Muitos de nós vivemos em uma espécie de montanha russa no que diz respeito às nossas energias. Há momentos em que estamos lá no alto – animados, produtivos e cheios de energia. Há outros em que acordar e encarar os desafios mais básicos do dia (como levantar, pagar contas, ir trabalhar) parece uma tarefa para Hércules.

Mas a questão é: estamos conscientes daquilo que nos leva ao topo da montanha ou ao fundo do vale ou apenas nos deixamos levar, como no carrinho de uma montanha russa? Eu, pelo menos, posso dizer que muitas vezes acordo na parte de baixo da rota sem saber bem o motivo. Claro que há uma séria de coisas que podemos culpar por acordar com o pé esquerdo – stress, TPM no caso das mulheres, algum conflito no trabalho ou em casa, cansaço etc.

Só que muitas vezes não é nada disso, ou na verdade, é uma soma de muitas coisas pequenas e que foram se acumulando sem a gente percebê-las. Acho o segredo está em observar melhor, e de forma mais consciente e constante, nossas reservas de energia para não sermos surpreendidos com ela abaixo da taxa mínima.

Se observarmos no dia a dia como está nossa taxa de energia, aquela que garante nosso bem estar, poderemos agir antes que ela chegue abaixo do nível mínimo de conforto. Se percebermos que a energia está caindo, é hora de parar, respirar fundo e fazer algo por nós mesmos. Parece fácil, mas não é! Poucos de nós se conhecem bem o suficiente para perceber níveis perigosos de energia antes de já estarmos mal. Esse olhar atento para nós mesmos é algo que devemos aprender a fazer diariamente. Isso é educação emocional!

E também cabe a cada um de nós se conhecer e saber que atividades nos recarregam a bateria. Para mim, por exemplo, uma coisa que funciona mesmo é viajar. Se isso não é possível também ajuda ver um bom filme, sair com amigos ou fazer uma caminhada em um lugar bonito. Ficar em casa e resolver de forma agradável e confortável ouvindo uma boa música todas aquelas pendências que não dou conta de resolver no dia a dia também vale para mim. Estou usando esse feriado de carnaval para deixar meu poço energético o mais cheio possível.

Outra coisa que também ajuda nessa tarefa de manutenção é a escolha inteligente e consciente das atividades que estamos dispostos a fazer. É claro que há uma série de coisas no trabalho (ou mesmo em casa) que podem nos consumir muita força e que temos que fazer de qualquer forma. Mas há outras que podemos escolher conscientemente se estamos dispostos a encarar ou não.

Nesse caso é interessante pensar em outras duas escalas: antes de aceitar fazer alguma coisa acho que devemos calcular seu custo/benefício. Ou seja, antes de aceitar fazer aquela tarefa que não estamos com vontade nenhuma de executar, podemos nos perguntar em uma escala de 0 a 10 o quanto aquilo nos consumiria e, também em uma escala de 0 a 10, que benefícios aquilo traria.

Há momentos e situações em que aceitamos fazer algo que nos custa muito porque aquilo pode ter um significado imenso para outra pessoa. Mas há outros momentos em que aceitamos fazer um monte de coisas que nos desgasta em excesso, simplesmente porque não estamos atentos aos efeitos que aquilo pode ter sobre nosso bem estar.

Se pensarmos e chegarmos à conclusão de que uma determinada tarefa é muita areia para o nosso caminhãozinho naquele momento temos todo o direito de dizer não.

Sei que para muitos de nós dizer não é nada fácil, mas aí já é assunto para outro post…

Passar o dia com a minha linda afilhada Anna me enche de energia!

Veredas – sobre gerenciamento de energia pessoal

É engraçado como a virada do ano é um assunto recorrente não só neste blog, mas também em minha vida. Faltando uns dois meses para terminar o ano de 2011 escrevi um post sobre a necessidade de se fazer um balanço do ano e rever algumas coisas. Em 2012, mais ambiciosa, começo essa revisão mais cedo.

É realmente incrível minha tendência (e provavelmente da maioria das pessoas nos dias atuais) de correr o tempo todo e voltar todas as minhas energias para fora. Ainda estamos na primeira metade de fevereiro e já estou pensando “realmente preciso achar um tempo para mim”. Explico sempre que isso é normal em minha vida, que por causa dos treinamentos e da preparação para o início das aulas, janeiro é um mês muito pesado mesmo. É normal estar cansada em fevereiro e o carnaval vem aí…

Mas acho que a questão é maior que essa. O fato é que se não prestarmos atenção, as mil coisinhas do dia a dia vão tomando nosso tempo cada vez mais sem nos darmos conta. Percebo que a quantidade de horas de descanso que tenho parece ser inversamente proporcional à quantidade de horas supostamente livres. Porque quanto mais tempo livre eu tenho, mais o encho de atividades.

Então começo hoje um novo projeto – Veredas. Em cada uma das próximas 46 semanas até o fim de 2012 escreverei um post com uma idéia diferente para nos ajudar a chegar mais perto de nós mesmos. E digo nos ajudar porque como li uma vez em algum lugar “ensinamos melhor aquilo que mais precisamos aprender”. Então neste meu projeto para 2012 vou escrever toda semana sobre uma maneira de melhorar a qualidade de vida no dia a dia corrido de nossas vidas. Espero que seja útil aos leitores como espero que seja para mim.

É minha esperança que com isso cada um de nós consiga exercer com um pouco mais de consciência nosso poder de escolha diário: hoje vou praticar a paz ou o stress? Porque é fácil dizer qual dos dois queremos. O difícil é direcionar nossas ações no sentido da nossa escolha. E nem sempre o simples é fácil de fazer, certo?

A inspiração para o projeto vem do livro “Inner Peace for Busy People” de Joan Borysenko e o primeiro post da série vem em breve.

Até lá!

Um degrau de cada vez, rumo a uma vida mais leve e equilibrada.