Sobre a Paciência

A paciência é uma virtude sobre a qual penso com freqüência. E geralmente porque gostaria de tê-la mais do que de fato tenho! Há vários tipos de paciência. Olhei no dicionário e encontrei as definições abaixo:

paciência (substantivo feminino)

1. capacidade de suportar males, incômodos e dificuldades com tranquilidade
2. resignação
3. persistência; perseverança

Houve um tempo em que imaginava que ser paciente demais tinha a ver com ter poucas ambições. Talvez por ser muito ansiosa, acabava enxergando paciência demais como indiferença, quase preguiça. Afinal, como ver uma coisa errada e não ter vontade de mudá-la? Naquele momento, a definição que mais se aproximava para mim era a segunda – resignação.

Imagino que seria fácil ter paciência e esperar o resultado daquilo que plantamos se soubéssemos de antemão que a colheita seria segura e farta. Seria muito mais fácil suportar males, incômodos e dificuldades com tranqüilidade, se soubéssemos com toda a certeza que o resultado seria positivo no final. Então na verdade, para mim essa virtude tem a ver com esperança. Ou com persistência e perseverança, como na terceira definição do dicionário.

Eu tenho toda a paciência do mundo com as coisas que acho que só precisam de tempo. Mas, apesar do nome, esperança é muito mais do que apenas a ação ou o resultado de esperar. Enquanto tenho esperança sou ativa, trabalho, planto, cultivo, enfim, dou tudo de mim para que meu objetivo se torne realidade.

Também tenho paciência com aquilo que precisa de esforço pessoal. Se depender do meu trabalho, não há problemas. Sei que comigo posso contar! E em equipe? Ah, no trabalho em equipe essa sensação é mais rica ainda! Todos trabalhando por um objetivo comum, com no mínimo esperança e, por vezes, uma quase certeza de que com nosso trabalho é só uma questão de tempo mesmo até chegarmos lá.

A dificuldade é quando as coisas dependem de fatores sobre os quais não temos influência nenhuma. Há situações que não parecem ser passíveis de mudança. É nesses momentos que temos o grande teste! Devemos ser pacientes e permanecer nessas situações, remando contra a maré? Ou devemos ter coragem, chutar o balde e partir para outra? Pessoalmente, acho ter coragem de largar tudo muito mais fácil! Mas será sempre o melhor?

Costumo dizer que não nasci para ser jogadora de futebol. Admiro muito o fato de um time estar perdendo de uns 3 gols ou mais e continuar correndo até o último minuto. Eu já chutaria o balde, largaria o jogo e pronto! E muitas vezes, perderia oportunidades de viver viradas espetaculares (como essa do vídeo abaixo – vale a penar ver!).

Não posso afirmar que tenha esgotado o tema e chegado a alguma grande conclusão. Acho que vou precisar ter muita paciência ainda antes disso. E espero ter paciência suficiente para não chutar o balde antes de ter certeza de que não há nada ali que eu possa aprender ou ensinar.

Afinal, como disse o pequeno príncipe:

“É preciso que eu suporte duas ou três lagartas, se quiser conhecer as borboletas.”

Linhas tortas, pernas tortas…

Uma vez meu pai me disse que não acreditava em Deus, mas que Ele escrevia certo por linhas tortas, ah isso escrevia.

Realmente, nem sempre entendemos as coisas que acontecem à nossa volta, na hora em que elas estão acontecendo. Só já à distância, com uma visão mais ampla é que tudo vai ficando mais claro.

Estou vivendo um momento assim. Não vejo a hora de saber aonde tudo isso vai me levar. Até lá vou me consolando com esse poema de Nicolas Behr sobre Garrincha. E como amo flores do cerrado, achei que ele tinha mais ainda a ver com tudo isso. Mas isso de flores do cerrado já é outra história…

“nem tudo

      que é torto

    é errado

    veja as pernas

       do garrincha

            e as árvores

               do cerrado”